Podes ganhar um bom salário, ter uma vida confortável e, ainda assim, estar a cometer erros financeiros todos os meses sem sequer te aperceberes.
O problema é que muitos destes erros parecem insignificantes no dia a dia, mas, quando somados ao longo de meses ou anos, podem representar milhares de euros.
Neste artigo, vou dar a conhecer alguns dos erros financeiros mais comuns e que podem estar a impedir-te de poupar mais dinheiro, investir e construir um património sólido.
Gastar mais do que ganhas
Este é um erro básico, mas continua a ser extremamente comum.
Muita gente acaba por gastar mais dinheiro do que aquele que ganha, seja através de créditos, cartões ou simplesmente porque vai aumentando o seu estilo de vida à medida que o rendimento aumenta.
Aliás, existe um fenómeno bastante conhecido: sempre que ganhamos mais, tendemos também a gastar mais.
Se recebes um aumento no trabalho e aumentas imediatamente o teu estilo de vida, esse aumento pode acabar por ter pouco impacto na tua situação financeira.
Em contrapartida, se conseguires manter o teu estilo de vida e canalizares uma parte significativa desse aumento para poupança ou investimento, estarás a dar um passo importante para alcançar a liberdade financeira.
Viver acima das tuas possibilidades é um dos maiores erros que podes cometer. Comprar um carro que não consegues realmente pagar, financiar viagens ou recorrer constantemente ao crédito para manter determinado estilo de vida pode criar um ciclo difícil de quebrar.
Não ter um fundo de emergência
Já falei várias vezes aqui no Mister Money sobre a importância de ter um fundo de emergência.
Não ter uma reserva financeira representa uma lacuna importante para quem procura estabilidade financeira.
Imagina que o teu carro avaria, tens uma despesa médica inesperada ou surge qualquer outro problema que te obrigue a gastar uma quantia significativa de dinheiro.
Se não tiveres dinheiro de lado, podes acabar por recorrer a um cartão de crédito, a um empréstimo ou, pior ainda, ter de vender investimentos numa altura que não seria a ideal.
Ter uma reserva financeira dá-te algo que muitas vezes esquecemos de contabilizar: tranquilidade.
Ter dívidas com juros elevados
Se tens dívidas provenientes de cartões de crédito, créditos pessoais ou outras formas de financiamento com taxas de juro elevadas, eliminá-las deve ser uma das tuas prioridades financeiras.
Imagina que tens uma dívida com uma taxa de juro de 15%. É muito difícil encontrar um investimento com um retorno esperado suficientemente elevado para justificar manter essa dívida enquanto investes.
Por isso, antes de começares a procurar o próximo investimento que pode fazer o teu dinheiro crescer, olha primeiro para aquilo que estás a pagar em juros.
Em muitos casos, amortizar uma dívida com juros elevados pode ser uma das melhores “rentabilidades” que consegues obter.
Não saber para onde vai o dinheiro
Este é outro erro muito comum.
Sabes de onde vem o teu dinheiro, mas sabes realmente para onde ele vai?
Restaurantes, subscrições mensais, compras impulsivas, cafés, transportes e pequenas despesas do dia a dia podem parecer insignificantes quando analisadas individualmente.
O problema aparece quando somas tudo no final do mês.
Eu próprio já tive alturas em que chegava ao final do mês sem perceber muito bem onde tinha gasto o dinheiro.
Registar as despesas mudou completamente a minha relação com o dinheiro.
Não precisas de utilizar uma aplicação sofisticada. Podes utilizar uma folha de Excel, uma aplicação no telemóvel ou até simplesmente papel e caneta.
O importante é saberes quanto entra, quanto sai e, principalmente, para onde está a ir o teu dinheiro.
Não ter um orçamento mensal
Ter um orçamento mensal pode parecer uma grande dor de cabeça, especialmente quando existem várias pessoas no mesmo agregado familiar com prioridades diferentes.
Mas um orçamento não precisa de ser complicado.
Na realidade, serve apenas para definires antecipadamente o que vais fazer com o teu dinheiro.
Quanto vais gastar? Quanto vais poupar? Quanto vais investir? Quanto vais reservar para férias ou para outras despesas?
Não adianta ganhar bem se, no final do mês, não sabes para onde foi o dinheiro.
Criar uma estratégia simples e repeti-la todos os meses pode fazer uma diferença enorme na tua vida financeira.
E, com o tempo, aquilo que inicialmente parece complicado passa a fazer parte da tua rotina.
Deixar todo o dinheiro parado
Este é um erro particularmente comum entre quem sempre ouviu dizer que “o importante é poupar”.
E, atenção: os nossos pais tinham razão numa coisa. Poupar é extremamente importante.
O problema é pensar que poupar significa simplesmente acumular dinheiro numa conta bancária e deixá-lo parado durante anos.
O dinheiro que tens hoje não terá necessariamente o mesmo poder de compra daqui a 10 ou 20 anos. A inflação faz com que, ao longo do tempo, o mesmo montante consiga comprar menos bens e serviços.
Isto não significa que devas investir todo o teu dinheiro.
Deves ter dinheiro disponível para emergências e despesas de curto prazo. Mas, para objetivos de longo prazo, pode fazer sentido colocar parte do teu património a trabalhar através de investimentos adequados ao teu perfil de risco.
Depósitos, PPR, obrigações, ETFs ou ações são apenas alguns exemplos de instrumentos que podem fazer parte de uma estratégia de investimento.
Não começar a investir por medo
“Um dia começo a investir!”
Quantas vezes já disseste esta frase a ti próprio?
O medo de perder dinheiro é uma das principais razões que leva muitas pessoas a adiar o investimento durante anos.
Eu próprio passei por isso.
Durante muito tempo preferi manter o dinheiro em soluções que considerava mais seguras, porque tinha medo de perder aquilo que tinha conseguido poupar.
O problema é que esperar pelo momento perfeito pode fazer com que nunca comeces.
Quanto mais cedo começares a investir de forma adequada aos teus objetivos e ao teu perfil de risco, mais tempo terás para beneficiar do crescimento do teu património e do efeito dos juros compostos.
Não precisas de começar com milhares de euros. Às vezes, começar com 50€ ou 100€ por mês é suficiente para começares a criar o hábito.
Investir sem perceber no que estás a investir
Este é um dos erros mais perigosos, principalmente para quem está a começar.
Investir simplesmente porque viste alguém no YouTube, Instagram ou TikTok dizer que determinado ativo vai subir pode acabar mal.
Antes de colocares dinheiro num investimento, tenta perceber minimamente aquilo que estás a comprar.
O que é a empresa? Como ganha dinheiro? Que riscos existem?
Se for um ETF, que índice acompanha? Que empresas estão incluídas? Qual é a sua comissão? É de acumulação ou distribuição?
Se for um PPR, quais são os custos? Em que ativos investe? Qual é o nível de risco?
Não precisas de ser especialista em mercados financeiros.
Mas existe uma regra que considero fundamental: **não invistas em algo que não percebes.**
Estudar antes de investir pode poupar-te muitos problemas no futuro.
Conclusão
Cometer erros financeiros faz parte da aprendizagem.
Eu próprio já cometi vários dos erros que mencionei neste artigo e, provavelmente, ainda vou cometer outros no futuro.
O objetivo não é tornares-te perfeito com o dinheiro.
É perceberes onde estás a errar, corrigires o que estiver ao teu alcance e criares hábitos que, repetidos durante muitos anos, possam melhorar significativamente a tua situação financeira.
Gastar menos do que ganhas, criar um fundo de emergência, eliminar dívidas caras, controlar as despesas, investir regularmente e perceber onde colocas o teu dinheiro são passos simples.
Mas são precisamente estas pequenas decisões, repetidas durante anos, que podem fazer uma enorme diferença na construção de património.





