Como diversificar uma carteira de investimentos (guia completo)

Como diversificar uma carteira de investimentos (guia completo)

É extremamente importante diversificares a tua carteira de investimentos, tanto para reduzires o risco como para aumentares as probabilidades de obter bons resultados a longo prazo.

Ao construíres um portefólio com diferentes tipos de ativos, combinando investimentos com maior risco e outros mais conservadores, consegues equilibrar melhor a tua estratégia e evitar depender apenas de uma única fonte de retorno.

Além disso, ao diversificares, reduzes o impacto que uma eventual queda num determinado investimento pode ter no teu património. Como se costuma dizer, nunca deves colocar todos os ovos na mesma cesta.

Independentemente de seres um investidor mais conservador, moderado ou agressivo, a diversificação deve fazer parte da tua estratégia de investimento.

A pensar neste tema (que ainda é muitas vezes negligenciado), no artigo de hoje vou mostrar-te alguns exemplos de como podes diversificar a tua carteira de investimentos.

ETFs

Os ETFs (Exchange-Traded Funds) são uma das formas mais simples de conseguires diversificar a tua carteira de investimentos. Em vez de comprares ações de uma única empresa, ao investires num ETF estás a adquirir uma pequena parte de um conjunto de ativos, que pode incluir dezenas, centenas ou até milhares de empresas diferentes.

Esta característica torna os ETFs uma opção bastante interessante para investidores que procuram exposição a vários mercados sem terem de escolher individualmente cada empresa onde investir.

Por exemplo, ao investires num ETF que acompanha um índice como o S&P 500, estás automaticamente exposto a algumas das maiores empresas dos Estados Unidos, sem precisares de comprar ações de cada uma delas separadamente.

Além da diversificação imediata, os ETFs apresentam normalmente custos mais baixos comparativamente a muitos fundos de investimento tradicionais, principalmente porque grande parte deles segue uma estratégia de gestão passiva.

Apesar das vantagens, é importante perceberes que os ETFs continuam a estar sujeitos às oscilações dos mercados financeiros. Por isso, antes de investires, deves analisar o índice seguido pelo ETF, os custos associados e perceber se este tipo de investimento está alinhado com os teus objetivos financeiros.

Depósitos a prazo

Os depósitos a prazo continuam a ser uma das opções mais simples e seguras para guardares o teu dinheiro. Apesar de normalmente não oferecerem o mesmo potencial de retorno de outros investimentos, têm como principais vantagens a segurança, a facilidade de contratação e a grande oferta existente nos bancos.

Se optares por utilizar um depósito a prazo, é importante analisares bem as condições do produto, principalmente a possibilidade de mobilização antecipada do dinheiro.

Idealmente, deves escolher uma opção que permita levantar o capital quando precisares, sem grandes penalizações. Desta forma, caso surja uma oportunidade de investimento interessante ou algum imprevisto que exija acesso ao dinheiro, consegues utilizar as tuas poupanças com maior flexibilidade.

Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro

Se tens algum dinheiro disponível e procuras uma forma de rentabilizar as tuas poupanças sem assumir um nível elevado de risco, os Certificados de Aforro e/ou Certificados do Tesouro podem ser uma opção a considerar.

Estes produtos de dívida pública permitem aplicar dinheiro com uma remuneração definida pelas condições em vigor no momento da subscrição, sendo uma alternativa para investidores que procuram maior segurança e previsibilidade.

Uma das principais características dos Certificados de Aforro e dos Certificados do Tesouro é o facto de terem regras específicas relativamente ao resgate do dinheiro. Ou seja, antes de subscreveres, é importante perceberes as condições do produto, nomeadamente os prazos em que podes mobilizar o capital.

O principal ponto a ter em atenção é que o dinheiro investido não pode ser resgatado durante um período de tempo estipulado aquando da subscrição, o que significa que esta opção pode não ser adequada para objetivos onde precises de acesso rápido ao capital.

PPR (Plano Poupança Reforma)

Muita gente continua a associar os PPR apenas à reforma ou a pessoas mais velhas, mas essa ideia está longe da realidade. Um Plano Poupança Reforma pode ser uma ferramenta interessante para quem quer construir uma poupança a longo prazo e preparar o futuro.

Quanto mais cedo começares, maior será o tempo disponível para o teu dinheiro crescer através do efeito dos juros compostos.

Existem diferentes tipos de PPR, sendo os mais comuns os Fundos PPR e os Seguros PPR. Cada um tem características diferentes:

  • Fundos PPR: normalmente não garantem o capital investido, mas podem apresentar maior potencial de valorização a longo prazo, estando também associados a maior risco.
  • Seguros PPR: tendem a apresentar maior foco na segurança e podem garantir o capital, mas normalmente apresentam um potencial de retorno mais limitado.

Para perceberes melhor o impacto do investimento a longo prazo, imagina que começas aos 30 anos a investir 25€ por mês até aos 67 anos. No total, terás aplicado 11.100€ ao longo do tempo.

Dependendo do tipo de PPR escolhido e da rentabilidade obtida, o valor final poderá ser bastante diferente. Por exemplo, produtos com maior exposição a mercados financeiros podem apresentar resultados superiores, mas também envolvem maior risco.

É importante lembrares-te que os resultados obtidos no passado não garantem resultados futuros. Antes de escolheres um PPR, analisa sempre as comissões, a estratégia do produto, o nível de risco e se está de acordo com os teus objetivos financeiros.

Fundo de emergência

Como já mencionei no artigo onde expliquei tudo sobre o fundo de emergência, ter esta reserva financeira é extremamente importante para quem procura melhorar a sua saúde financeira e construir uma base sólida antes de investir.

De forma simples, o fundo de emergência deve representar cerca de 6 meses das tuas despesas mensais. Ou seja, se gastas aproximadamente 600€ por mês, o ideal será teres uma reserva de cerca de 3600€.

Este dinheiro serve para fazer face a situações inesperadas, como perda de emprego, problemas de saúde que te impeçam de trabalhar, avarias no carro ou outras despesas imprevistas que possam surgir.

Apesar de o objetivo principal não ser obter grandes rendimentos, podes optar por guardar o teu fundo de emergência em diferentes produtos, desde que mantenham segurança e facilidade de acesso ao dinheiro.

Por exemplo, podes dividir a tua reserva entre uma conta remunerada/depósito a prazo e produtos de baixo risco, garantindo que uma parte do dinheiro está sempre disponível caso precises dele rapidamente.

Aplicações de risco elevado

Existem várias aplicações financeiras que podem ser consideradas de risco elevado, principalmente para quem ainda não tem conhecimentos suficientes sobre o tema. Alguns exemplos são o investimento em ações individuais, criptomoedas, matérias-primas ou forex.

Antes de investires neste tipo de ativos, é fundamental perceberes qual é o teu perfil de investidor. Deves avaliar se te sentes confortável com a possibilidade de perder dinheiro, se consegues lidar emocionalmente com grandes oscilações de preço e se o dinheiro investido não te fará falta no curto prazo.

Uma regra comum passa por limitar a exposição a investimentos de maior risco, evitando colocar uma grande parte do teu património em ativos muito voláteis. Para muitas pessoas, estes investimentos devem representar apenas uma pequena parte da carteira total.

Por exemplo, ao investires em ativos como criptomoedas, é importante teres uma visão de médio/longo prazo e não tomares decisões precipitadas com base nas oscilações diárias do mercado.

Ver o preço todos os dias, comprar apenas porque subiu ou vender imediatamente porque caiu são comportamentos que podem prejudicar a tua estratégia de investimento. A disciplina e o controlo emocional são especialmente importantes neste tipo de aplicações.

Por isso, antes de investires em produtos de risco elevado, garante primeiro que tens uma boa base financeira criada, incluindo um fundo de emergência, e investe apenas valores que estejas confortável em colocar em risco.

Diversificar a tua carteira de investimentos

Como viste ao longo deste artigo, diversificar a tua carteira de investimentos é extremamente importante, tanto para reduzires o risco como para construíres uma estratégia mais equilibrada a longo prazo.

A forma como deves diversificar depende sempre do teu perfil de investidor, dos teus objetivos financeiros e do prazo em que pretendes manter os investimentos.

Se és um investidor mais conservador, podes privilegiar produtos com menor risco, como depósitos a prazo ou certificados de dívida pública. Se tens um perfil mais moderado, podes complementar estas opções com produtos como PPR ou outros investimentos diversificados.

Já se tens maior tolerância ao risco e conhecimento sobre os mercados financeiros, podes considerar incluir ativos com maior volatilidade na tua carteira, como ações individuais ou outros investimentos de risco elevado.

Independentemente do teu perfil de investidor, o mais importante é começares e construíres uma estratégia adequada à tua realidade. A diversificação não elimina o risco, mas ajuda a gerir melhor os teus investimentos e a evitar depender apenas de um único ativo.